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Nutrição Equina · 10 min de leitura

Óleo vegetal para cavalo: quanto dar, qual escolher e os erros mais comuns

Energia sem amido, mas com critério — de 50 ml a 500 ml por dia, e nunca como "preventivo de cólica".

por André G. Cintra · MV, Prof. Esp.

Primeiro equilibrar a dieta, depois pensar em suplemento

Suplementos nutricionais são alimentos adicionados à alimentação diária do cavalo que o auxiliam no desempenho. Devem ser utilizados com muito critério, preferencialmente recomendados por um técnico especializado. Entre os muitos tipos, há a categoria dos suplementos energéticos: complementos cuja função é melhorar a disponibilidade de energia para o animal.

A adição de qualquer suplemento à dieta somente deverá ser feita após o correto balanceamento das necessidades básicas da categoria a que o animal se destina. Tão ruim quanto oferecer menos do que ele necessita é oferecer mais do que ele precisa: os excessos são tão ou mais prejudiciais que as deficiências.

Antes de pensar em oferta extra de qualquer nutriente, é necessário equilibrar a dieta básica, atendendo às necessidades mínimas em energia, proteína, vitaminas, minerais e água. Só então, se o animal tiver potencial genético para melhor desempenho, faz sentido buscar nos suplementos uma dose extra de algum nutriente realmente necessário. Atente para o fato de que muito do que está disponível no mercado não tem qualidade ou não atende a nenhuma necessidade real do cavalo — apenas do proprietário.

Por que gordura, e não mais amido

Existem duas formas de aumentar a oferta de energia: aumentando o fornecimento de carboidratos, especificamente amido, sob a forma de grãos (mais ração, aveia ou milho), ou elevando o teor de gordura da dieta através do fornecimento de óleos.

O aumento da energia pela ração pode ser feito, sem risco, até o limite de 1 kg de ração para cada 100 kg de peso vivo (1% do peso vivo), dividido em diversas refeições, sem que se ultrapasse 0,5 kg de ração para cada 100 kg de peso por refeição. Para um animal de 400 kg, o máximo é 4 kg de ração, sendo no máximo 2,0 kg por refeição. Pessoalmente, acredito que um máximo de 0,4 kg de ração por refeição gere aproveitamento melhor.

Administrar mais concentrado que isso gera dois problemas sérios: sobrecarga intestinal levando a quadros de cólicas, e excesso de amido não digerido no ceco, o que leva a disbiose — morte da microflora digestiva — com consequências desastrosas, que vão de cólicas e laminites a produção excessiva de gases, perda de desempenho, suor excessivo e má recuperação após esforço.

Além disso, elevar a energia pelo amido gera um acúmulo de energia de disponibilidade mais rápida, que deixa o animal mais quente, com complicações de manejo e estresse. Como o limite de oferta de grãos acaba sendo baixo para atender às necessidades de desempenho sem comprometer a vida e a saúde do equino, podemos e devemos utilizar as gorduras como fonte energética.

O que o óleo faz no músculo

Diversos trabalhos comprovam que a adição de 10 a 20% da dieta de grãos em óleo eleva o glicogênio muscular, principal fonte de energia de disponibilidade imediata na célula muscular. Isso significa que é possível elevar a energia da dieta independentemente do esporte, seja de explosão ou de longa duração. O óleo que não for utilizado será armazenado sob a forma de gordura para posterior utilização — o que não se confunde com o acúmulo que leva à obesidade, embora isso possa ocorrer se a oferta for muito além do necessário.

Essa é outra vantagem dos óleos sobre o amido. Como o amido é rapidamente transformado em glicose, energia de pronta disponibilidade, o animal fica mais agitado, com mais energia para gastar, muitas vezes mais irritado se mantido em confinamento. Como o óleo é disponibilizado como glicogênio muscular ou armazenado como gordura, esse excesso de energia ocorre com menor intensidade — daí alguns autores, inadvertidamente, classificarem o óleo como calmante. O óleo não acalma o cavalo, mas deixa-o menos inquieto do que quando se utiliza o amido como fonte energética.

Quanto óleo dar por dia

A quantidade de óleo a ser administrada varia de 50 ml a 500 ml diários, dependendo de uma série de fatores, todos eles a serem avaliados por um técnico competente.

Uma dica para observar se a ração já vem com óleo de fábrica: veja o valor de extrato etéreo no rótulo. Se for acima de 5%, em geral esses valores só são conseguidos com adição de óleo na fórmula. A quantidade é impossível de saber apenas por esse índice, mas ele indica o enriquecimento — o que torna a adição extra de óleo temerosa se feita sem critério.

  • Qualidade e disponibilidade do volumoso.
  • Qualidade e disponibilidade da ração.
  • Tipo de exercício a que o animal se submete.
  • Qualidade genética do animal, isto é, se ele tem potencial para a função a que o submetemos.
  • Peso do animal, entre outros.

Excesso de óleo faz perder peso

Deve-se tomar muito cuidado na adição indiscriminada de óleo, pois o excesso também traz prejuízos, com os mesmos problemas descritos para o excesso de amido, somando-se emagrecimento e perda de desempenho. Isto é: o aumento indiscriminado de gordura leva à perda de peso, e não exatamente ao ganho.

Já tive clientes onde consegui fazer com que o cavalo ganhasse peso cortando 40% da ração. O cliente utilizava uma ração muito rica em óleo e foi, pela moda de terceiros sem conhecimento técnico, incitado a adicionar mais óleo à dieta para "melhorar o pelo". Ocorre que a ração já era enriquecida de fábrica com 40 ml de óleo por kg. Como ele administrava 6 kg de ração — além da necessidade do animal, inclusive —, já estava administrando 240 ml de óleo, muito além da necessidade.

Nesse caso, costumo dizer que, em nutrição, mais com mais é igual a menos, contrário à matemática: se der muito além das necessidades do animal, o resultado é perda de peso, e não ganho. A solução foi simples: cortando a ração para 3,5 kg e diminuindo o óleo extra, o animal chegou ao seu estado ótimo para o grande evento da raça, sagrando-se reservado Campeão Nacional.

Em nutrição, mais com mais é igual a menos. Se der muito além das necessidades do animal, o resultado é perda de peso, e não ganho.

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Refinado ou extraído fisicamente: qual escolher

Entre todos os tipos de óleo — milho, soja, canola, algodão, arroz, linhaça, coco, palmiste e mesmo oliva —, a quantidade de energia disponível é exatamente a mesma, ao redor de 8,9 Mcal de energia digestível por kg de produto. Se o objetivo é apenas elevar a quantidade energética da dieta, não importa o tipo utilizado, podendo-se basear no preço. Em geral o óleo de soja é o mais barato.

Quando falamos de óleos refinados — soja, milho, canola, algodão —, a qualidade de todos é a mesma, pois o processo de refino volatiliza praticamente todos os compostos nutricionais que trariam algum benefício ao animal. O uso desses óleos é apenas como fonte energética quantitativa, apesar da variação dos ácidos graxos, especialmente da série ômega.

Se desejar algo além da quantidade de energia, buscando valores qualitativos que podem fazer diferença no desempenho e na qualidade de vida, pode-se utilizar óleos prensados a frio ou extraídos fisicamente, como o óleo de arroz, de linhaça, de palmiste ou de coco. O azeite de oliva estaria incluído nesse rol se não fosse seu custo.

Os óleos de linhaça e arroz prensados a frio são riquíssimos em ácidos graxos ômega 3, 6 e/ou 9 e em vitamina E. Os óleos de palmiste e de coco, apesar de ricos em gordura saturada, têm essa gordura rica em ácidos graxos de cadeia média, especialmente o ácido láurico, presente em grande concentração no leite materno; ricos em vitamina E e polifenóis, possuem ação antioxidante e anti-inflamatória. O óleo de coco ainda tem ações tópicas interessantes, como adjuvante no tratamento de feridas, lubrificante dos cascos e condicionador dos pelos de cauda e crina, diluído a 5% no shampoo.

O que o ômega 3 agrega em cada categoria

As vantagens do equilíbrio entre os ácidos graxos podem ser descritas como abrandamento de reações inflamatórias e alérgicas indesejáveis, melhorando a resposta imunológica. Para potros em crescimento funciona como auxiliar no desenvolvimento neurológico. Para éguas em gestação auxilia no desenvolvimento fetal e na lactação, aumentando a quantidade do leite. Observamos ainda restabelecimento do brilho e da cor da pelagem, bem como a saúde da pele.

Em cavalos de esporte e trabalho aumenta a energia disponível, levando a recuperação muscular mais rápida após exercícios. Promove ainda prevenção de distúrbios circulatórios e cardiovasculares, além de ser excelente auxiliar no tratamento de laminites, artrites, artroses e miopatias.

O óleo de arroz possui ainda um composto denominado gama-orizanol, antioxidante natural. Entre os benefícios observados em seres humanos, e que aparentemente podem ser extrapolados para os equinos, estão função anabolizante, melhora no crescimento com aumento de massa muscular magra, aumento da resistência física e melhora da recuperação após exercício, atividade antioxidante, melhor aproveitamento dos carboidratos, efeito anti-inflamatório e imunoestimulante e melhoria da circulação capilar com reflexo no pelo e na pelagem.

Também é possível fazer um mix de óleos, buscando resultados específicos conforme os objetivos e necessidades de cada indivíduo.

O erro clássico: óleo como "preventivo de cólica"

Muitas pessoas fazem um uso errôneo adicional dos óleos: como preventivo de cólicas, administrando 20 a 30 ml duas vezes por semana. Os óleos podem auxiliar para que o alimento passe mais facilmente pelo aparelho digestivo. Entretanto, utilizá-lo duas vezes por semana significa prevenir cólicas duas vezes por semana.

Além disso, o uso de óleos — ou mesmo de semente de linhaça com o mesmo propósito — como preventivo de cólicas não se justifica, pois se a imensa maioria das cólicas é causada por erros de manejo, somente se justificaria seu uso se houvesse erros de manejo. E erros de manejo não se justificam.

Para prevenir cólicas basta um manejo correto: respeitar um mínimo de 50% da dieta em volumoso de boa qualidade, um máximo de 1% do peso do animal em ração concentrada, permitir liberdade mínima de duas horas por dia aos animais embaiados e garantir convivência, ao menos visual, com outros equinos, reduzindo o estresse. Exceção feita, por exemplo, a épocas de seca, quando não há volumoso de qualidade: nesse caso, o uso diário de óleo pode ser interessante.

Ao escolher os óleos como suplemento energético, deve-se primeiramente definir o que se busca: apenas quantidade energética, ou algo mais para o animal. Depende do que se espera e deseja para ele.

Autoria e créditos

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Médico-Veterinário, Professor e Especialista em Nutrição, Comportamento e Bem-Estar Equino.

Autor das obras Alimentação Equina: Nutrição, Saúde e Bem-estar, O Cavalo: Características, Manejo e Alimentação e Manual de Gerenciamento Equestre: Textos, Tabelas e Planilhas (coautor).

Contato: agcintra@gmail.com · Instagram @andregcintra · YouTube André G. Cintra

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