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Nutrição Equina · 7 min de leitura

Linhaça para cavalo: benefícios, quantidade certa e a forma segura de oferecer

Grão, farinha ou óleo? O que a linhaça realmente entrega em ômega 3 — e por que ela nunca deve ser o concentrado único.

por André G. Cintra · MV, Prof. Esp.

Alimento perfeito ou equilíbrio perfeito?

Muito se tem falado a respeito do uso da linhaça na alimentação dos equinos. Como a maioria dos grãos, a linhaça é um ótimo complemento a ser utilizado na alimentação do cavalo, desde que seu uso se justifique e seja feito com critério e avaliação cuidadosa das necessidades reais do animal.

A linhaça é obtida da planta denominada linho (Linum usitatissimum L.) e pode ser encontrada em duas variedades, marrom e dourada, cujo valor nutricional é bem semelhante, variando mais drasticamente no preço.

Alimento perfeito não existe, mas equilíbrio perfeito de alimentos é o que se deve almejar para um melhor resultado na criação ou performance dos cavalos.

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Grão, farinha, farelo ou óleo: qual forma usar

A linhaça pode ser utilizada de três formas: grão integral, farinha e óleo. Também pode ser encontrado o farelo de linhaça, mas, como é obtido após a extração da porção oleaginosa — restando apenas 10-15% do valor de extrato etéreo —, o valor nutricional diferenciado da série ômega se perde nessa apresentação.

  • Grão: 94% MS, 22% PB, 36% EE, 11% FB, 5,5 Mcal de ED; ômega 3 52-54%, ômega 6 17%.
  • Farinha (grão integral moído, preservando as características oleaginosas): 96% MS, 20% PB, 36% EE, 34% FB, 4,8 Mcal de ED; ômega 3 58%, ômega 6 14%.
  • Farelo (subproduto da extração do óleo): 92% MS, 40% PB, 8-12% EE, 9% FB, 3,32 Mcal de ED; ômega 3 2-4%, ômega 6 1-2%.
  • Óleo (extraído a frio, preservando os ácidos graxos da série ômega): 100% MS, 100% EE, 8,9 Mcal de ED; ômega 3 55,3%, ômega 6 14,4%.

Linhaça previne cólica?

O grão integral é tradicionalmente utilizado em pequenas quantidades, 20 a 50 g diários ou mesmo duas vezes por semana, com o intuito de prevenir cólica.

Cerca de 99% das cólicas são ocasionadas por um erro de manejo. Isso quer dizer que, adequando-se o manejo às reais necessidades do cavalo, ele dificilmente terá cólica. Portanto, administrar um "preventivo" para cólicas na dieta diária somente se justifica se o manejo estiver errado. E manejo errado não se justifica.

Além disso, a linhaça em grão somente tem ação efetiva se administrada umedecida, pois a casca do grão é extremamente dura, dificultando sua ação laxativa. Em razão da casca rígida, há pouco aproveitamento do ômega 3; estudos demonstram que a digestibilidade do grão de linhaça seco é muito baixa em equinos.

O cuidado com o cianeto ao umedecer

O umedecimento dos produtos de linhaça antes da alimentação pode aumentar o seu teor de cianeto (ácido prússico ou cianídrico). A linhaça contém glicosídeos cianogênicos e enzimas que permitem que esses glicosídeos liberem cianeto. Nas sementes intactas, eles se encontram separados; danos como secagem, murchamento, congelamento ou processamento permitem que se unam, liberando o cianeto.

O cianeto é facilmente absorvido pelo trato gastrointestinal e impede a liberação do oxigênio a partir do sangue — em determinada quantidade, pode levar à morte súbita. Quando o produto não é umedecido antes da ingestão, as enzimas são destruídas no estômago e nenhum cianeto é liberado.

Os benefícios do equilíbrio entre ômega 3 e ômega 6

A linhaça é muito rica em ômega 3, um ácido graxo essencial que, juntamente com o ômega 6, é responsável por uma série de respostas do organismo a agressões. O equilíbrio entre ômega 3 (de baixo potencial inflamatório) e ômega 6 (de alto potencial inflamatório) leva a uma resposta equilibrada do organismo. A maioria dos grãos da dieta tradicional do cavalo é muito rica em ômega 6 — desequilíbrio que pode ser atenuado com o uso criterioso da farinha ou do óleo de linhaça.

  • Abrandamento de reações inflamatórias e alérgicas indesejáveis, melhorando a resposta imunológica.
  • Auxílio no desenvolvimento neurológico de potros em crescimento.
  • Em éguas gestantes, auxílio no desenvolvimento fetal e na lactação, aumentando a quantidade de leite.
  • Restabelecimento do brilho e da cor da pelagem, e saúde da pele.
  • Em cavalos de esporte e trabalho, mais energia disponível e recuperação muscular mais rápida.
  • Prevenção de distúrbios circulatórios e cardiovasculares; auxiliar no tratamento de laminites, artrites, artroses e miopatias.
  • Excelente alimento para animais idosos, a partir dos 15 anos.
  • Para cavalos com síndrome metabólica ou PPID: teor de amido inferior a 1% e presença de lignana, que melhora a sensibilidade à insulina.

Quanto oferecer e os riscos do excesso

A farinha de linhaça, sempre como complemento à dieta diária, pode variar de 100 g a 400 g para cavalos saudáveis, chegando a até 700 g diários para animais debilitados ou em situações extremas, como grandes viagens e competições de longa duração.

O óleo deve ser prensado a frio, pois o refinado volatiliza os ácidos graxos. O óleo extraído a frio contém ainda aproximadamente 360 mg de tocoferóis por litro, precursores da vitamina E, com ação antioxidante.

Mas a linhaça também é rica em energia e proteína, e não é equilibrada em vitaminas e minerais. Excesso de energia pode causar timpanismo, diarreias, cólicas, disbiose e laminite; excesso de proteína, enterotoxemia, problemas hepáticos e renais, emagrecimento e má recuperação após o esforço. Seu uso indiscriminado, ou como alimento único, é mais prejudicial que benéfico.

Uma dieta correta privilegia volumoso de boa qualidade, água fresca e limpa e sal mineral específico para cavalos à vontade, complementados com concentrado equilibrado de origem idônea — e pode, se o animal exigir, ser suplementada com farinha de linhaça. Acima de tudo, não prejudique o animal.

Autoria e créditos

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Médico-Veterinário, Professor e Especialista em Nutrição, Comportamento e Bem-Estar Equino.

Autor das obras Alimentação Equina: Nutrição, Saúde e Bem-estar, O Cavalo: Características, Manejo e Alimentação e Manual de Gerenciamento Equestre: Textos, Tabelas e Planilhas (coautor).

Contato: agcintra@gmail.com · Instagram @andregcintra · YouTube André G. Cintra

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