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Nutrição Equina · 11 min de leitura

Exterior do cavalo: partes do corpo, aprumos, cascos e como estimar o peso

Um guia de ezoognósia: cabeça, pescoço, tronco, membros e cascos, além de fórmulas de peso e índices corporais.

por André G. Cintra · MV, Prof. Esp.

O que é ezoognósia

Ezoognósia é o estudo do exterior dos animais domésticos. Conhecê-lo permite avaliar conformação, qualidades e defeitos de cada raça, qualquer que seja a função. Divide-se em cinco regiões: cabeça, pescoço, tronco, membros e cascos.

Cabeça

Vista de perfil, pelo formato do chanfro, a cabeça pode ser retilínea (Mangalarga, Mangalarga Marchador, raças de hipismo), subconvexilínea ou "encarneirada" (Lusitano, Bretão, Percheron, Campolina) ou subconcavilínea (Árabe). Cada raça define ainda orelhas, olhos, narinas, ganachas e bochechas.

Pescoço

Avaliam-se tamanho, forma e direção. Deve ser proporcional ao corpo. Pode ser piramidal (Mangalarga, Marchador, hipismo), rodado (Percheron, Bretão, Campolina) ou de cisne (Árabe).

A direção ideal é a diagonal: cerca de 45° com o chão e 90° com a cabeça. O pescoço vertical sobrecarrega os posteriores e o horizontal, os anteriores — ambos desequilibram o animal e dificultam o trabalho.

Tronco

  • Cernelha: referência para medir a altura; deve ser destacada para a sela não girar no dorso.
  • Dorso: sustenta o cavaleiro; levemente paralelo ao solo, nem côncavo (selado) nem convexo.
  • Lombo: curto e musculoso, protegendo os rins — o cavalo "bem ligado".
  • Garupa: ampla, musculosa e simétrica; se assimétrica, o animal é chamado de náfego.
  • Peito: forte e amplo, sinal de boa capacidade torácica.

Membros

Os anteriores sustentam cerca de 55% do peso, com função de sustentação e amortecimento; os posteriores, 45%, com sustentação e impulsão. Por isso os anteriores são mais sujeitos a lesões, e aprumos corretos são essenciais.

O joelho zootécnico do cavalo fica nos membros anteriores. Machinho e castanha são resquícios do segundo e do quarto dedos, desaparecidos há milhões de anos.

Cascos

Sem cascos, o cavalo não tem utilidade. Na coroa ficam as células responsáveis pelo crescimento, que devem ser preservadas: produtos muito abrasivos, como iodo, podem matá-las e gerar um casco defeituoso.

A parede deve ser lisa e pode ser preta, branca ou rajada. Estresse grave, mental ou metabólico, e desequilíbrios nutricionais deixam linhas de crescimento. Como o casco cresce cerca de 10 mm por mês, a distância da linha à coroa indica há quanto tempo o animal passou pelo problema. Linhas graves e prolongadas podem estar ligadas à laminite.

A ranilha é o amortecedor do membro e tem células que percebem vibrações do solo, ampliando a audição. Sempre que possível, deve tocar o solo. Se ambiente e cascos permitirem, o barefoot (sem ferradura) é muito saudável, com transição lenta de 6 a 12 meses.

Pinças e talões são as partes que mais crescem e devem ser aparadas mensalmente por profissional capacitado. O limite é a linha branca, que separa a parte córnea da sensível.

Altura e peso

A altura é medida do solo ao alto da cernelha, com o cavalo parado e bem aprumado em terreno plano, sem ferraduras.

O ideal é pesar em balança aferida. Na falta dela, fórmulas com o perímetro torácico — medido logo atrás da cernelha, circundando o corpo — dão um peso aproximado, com erro de cerca de 5%. Medido sempre pela mesma pessoa, do mesmo jeito, o método mostra bem se o cavalo ganha ou perde peso.

  • Potros de 6 meses a 4 anos (Martin-Rosset, 1990): peso (± 23 kg) = 4,5 × perímetro torácico (cm) − 370.
  • Acima de 12 meses (Marcenac e Aublet, 1964): peso = perímetro torácico (m)³ × 80.
  • Acima de 12 meses (Carroll e Huntington, 1988): peso = perímetro torácico (cm)² × comprimento (cm) ÷ 11.877, com o comprimento medido da ponta da espádua à ponta do ísquio.
  • Raças de tração acima de 650 kg (Martin-Rosset, 1990): peso = perímetro torácico (cm) × 7,3 − 800.

Índices corporais

O índice dactilotorácico relaciona o perímetro da canela, logo abaixo do joelho, com o perímetro torácico. Não deve ficar abaixo de 0,105 em cavalos pequenos, 0,108 em cavalos de sela e 0,115 em cavalos de tração; valores menores indicam ossatura de membros frágil para o tronco, com risco de sobrecarga e lesões.

O índice torácico relaciona a largura (entre as espáduas ou as pontas das ancas) com a altura na cernelha: abaixo de 0,85, o animal é longilíneo; de 0,86 a 0,88, mediolíneo; acima de 0,89, brevilíneo.

Proporções corporais ajudam a prever aptidão para sela, mas são apenas referência — e não valem plenamente para pôneis (abaixo de 1,40 m) ou cavalos de tração.

Autoria e créditos

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Médico-Veterinário, Professor e Especialista em Nutrição, Comportamento e Bem-Estar Equino.

Autor das obras Alimentação Equina: Nutrição, Saúde e Bem-estar, O Cavalo: Características, Manejo e Alimentação e Manual de Gerenciamento Equestre: Textos, Tabelas e Planilhas (coautor).

Contato: agcintra@gmail.com · Instagram @andregcintra · YouTube André G. Cintra

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