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Saúde & Prevenção · 7 min de leitura

Cara inchada em cavalo: causas, sintomas, tratamento e como prevenir

Hiperparatireoidismo nutricional secundário: quando o desequilíbrio entre cálcio e fósforo faz o organismo retirar cálcio dos ossos da face.

por André G. Cintra · MV, Prof. Esp.

O que é a cara inchada

O hiperparatireoidismo nutricional secundário, ou osteodistrofia fibrosa — doença conhecida como cara inchada —, está relacionado ao aumento da liberação do PTH (hormônio da paratireoide), que retira cálcio dos ossos para a corrente sanguínea. Esse hormônio é liberado quando há alteração na relação cálcio/fósforo (Ca:P) no sangue.

Para o equilíbrio do organismo, essa relação deve ficar ao redor de 2:1 no sangue e próxima disso na dieta. A rigor, ela varia conforme a categoria do animal — de 1,10:1 em éguas no início da lactação a 1,80:1 em potros —, mas na prática é possível manter 2:1 na alimentação com alimentos de qualidade e sal mineral específico para equinos, de empresa idônea, à disposição. Deve-se evitar também o excesso de cálcio (relação máxima de 3,5:1).

Por que a face incha

Quando a quantidade de fósforo no sangue aumenta, o organismo tenta reequilibrar a relação retirando cálcio do maior reservatório do corpo: os ossos. Os primeiros a sofrer são os ossos da face, menos relevantes para a sobrevivência imediata.

O tecido ósseo que fica mole é substituído por um tecido conjuntivo aerado, de maior volume — daí a aparência de cara inchada. Em casos graves sem correção, o organismo continua retirando cálcio de outros ossos, como a coluna vertebral e até os membros, comprometendo em definitivo a funcionalidade do animal.

As 4 causas nutricionais

Basicamente, quatro fatores de origem nutricional podem causar a doença:

  • Excesso de fósforo: uma das causas mais comuns, ligada ao consumo excessivo de milho (Ca:P 0,09:1), farelo de trigo (0,2:1) ou certas gramíneas, como feno de napier (0,7:1), capim-elefante de 60 dias (0,9:1), quicuio fresco (0,8:1) e coast-cross fresco com menos de 30 dias de rebrota (0,8:1) — mesmo com cálcio correto na dieta.
  • Deficiência de cálcio: com baixa oferta, cai a absorção e o nível de cálcio no sangue.
  • Ingestão de oxalato: presente em algumas forrageiras, une-se ao cálcio formando um composto inabsorvível. Acima de 5 g/kg de matéria seca compromete a absorção; quando a relação Ca:oxalato é inferior a 0,5, as chances de cara inchada se elevam exponencialmente. Exemplos de risco: setária, quicuio, braquiária humidícola, buffel, napier e tanzânia.
  • Deficiência de vitamina D: necessária para absorver cálcio. É rara, pois 45-60 minutos de sol por dia bastam, mas deve ser lembrada diante do confinamento excessivo de muitos cavalos de esporte.

Sintomas

O principal sintoma é o aumento de volume dos ossos da face, em geral bilateral, às vezes acompanhado de uma ligeira claudicação sem causa aparente. A gravidade é tanto maior quanto mais se demora a reequilibrar a dieta.

Existem ainda causas não nutricionais, menos comuns: hiperparatireoidismo primário (possível tumor na paratireoide) e secundário a insuficiência renal crônica, em que a menor excreção de fósforo eleva sua concentração no sangue.

Tratamento

O tratamento é a correção da causa primária, sempre com reequilíbrio da dieta: elevar o cálcio (quando deficiente), diminuir o fósforo (quando em excesso) e evitar pastagens ricas em oxalato. Nos estágios iniciais, isso pode bastar, e os sinais em geral são reversíveis.

Em estágios avançados, é necessária administração maciça de cálcio, geralmente injetável, e medicamentos que auxiliem sua absorção — nem sempre revertendo o aumento de volume. É fundamental começar cedo: em casos graves, a cara inchada pode levar à morte por obstrução dos seios nasais.

Como prevenir

O melhor tratamento é a prevenção, pelo equilíbrio nutricional: rações balanceadas de boa procedência, volumoso de boa qualidade e sal mineral específico para equinos à vontade, em cocho separado — na baia ou no piquete.

O sal mineral deve fazer parte da dieta diária do cavalo, e não ser oferecido apenas quando se observa uma deficiência. E o animal deve tomar sol algumas horas por dia para sintetizar a vitamina D necessária à absorção do cálcio.

O melhor tratamento é a prevenção.

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Autoria e créditos

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Médico-Veterinário, Professor e Especialista em Nutrição, Comportamento e Bem-Estar Equino.

Autor das obras Alimentação Equina: Nutrição, Saúde e Bem-estar, O Cavalo: Características, Manejo e Alimentação e Manual de Gerenciamento Equestre: Textos, Tabelas e Planilhas (coautor).

Contato: agcintra@gmail.com · Instagram @andregcintra · YouTube André G. Cintra

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