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Nutrição Equina · 13 min de leitura

Suplementação para cavalos: da gestação ao adulto, o que realmente faz sentido

Formar um atleta começa no ventre da égua. Probióticos, vitaminas, minerais, óleos e aminoácidos — benefícios e limites de cada suplemento.

por André G. Cintra · MV, Prof. Esp.

Manejo e equilíbrio: a base de tudo

O correto manejo deixa o cavalo o mais tranquilo possível, pouco afetado pelo estresse que compromete o aproveitamento dos nutrientes. Ele deve se basear nos quatro preceitos do comportamento natural do equino. Um animal tranquilo, tratado como cavalo, permite que a nutrição tenha sua expressão máxima; um animal em estresse constante exige muito mais alimento para o mesmo resultado.

O segundo fator é o equilíbrio nutricional: ofertar a quantidade de nutrientes necessária para a categoria — trabalho, reprodução ou crescimento —, sem deficiências nem excessos, considerando a inter-relação entre proteína, energia, vitaminas, minerais e água.

  • São presas: o desconhecido e a dor ameaçam sua vida.
  • Necessitam de liberdade: ao menos 2 a 3 horas soltos por dia, mesmo nos dias de trabalho.
  • Necessitam de companhia: vivem mais tranquilos com seus pares, com contato físico diário.
  • Alimentação baseada em forragem de fibra longa, que deve compor ao menos metade da dieta.

A formação do atleta começa na gestação

A formação de um cavalo atleta se inicia antes do nascimento: no terço inicial da gestação, pela formação embrionária e pelo efeito epigenético, e no terço final, quando ocorre 70% do crescimento do feto. O potro nasce com cerca de 10% do peso adulto e 65 a 75% da altura final. Para ter um potro bem formado, é preciso alimentar adequadamente a mãe.

A égua gestante deve receber volumoso de qualidade à vontade, preferencialmente diversificado, complementado com 0,2 a 0,6 kg de ração por 100 kg de peso — 1 a 3 kg para uma égua de 500 kg —, conforme seu estado e a qualidade do volumoso e da ração, além de sal mineral específico para equinos em livre acesso e, eventualmente, um complexo vitamínico-mineral.

Nessa fase, incrementar proteína, energia ou aminoácidos não é recomendado: podem estimular um crescimento exagerado do potro e favorecer doenças ortopédicas desenvolvimentares, como epifisites, osteocondrites e contraturas de tendão — assim como o livre acesso a volumosos ricos em proteína, como a alfafa.

Lactação e desmame: crescimento ótimo, não máximo

Até o 3º mês de vida, a nutrição do potro é baseada essencialmente no leite. Mantém-se o conceito: alimentar o potro é alimentar a mãe, com volumoso de qualidade, ração específica para a fase, sal mineral e água fresca e limpa à vontade.

Comparando dois lotes de potros com mães bem alimentadas — um recebendo concentrado desde a lactação e outro apenas por meio da mãe —, o primeiro cresce muito mais rápido no primeiro ano. Bem nutridos após o desmame, ambos chegam ao mesmo desenvolvimento aos 18 a 24 meses, mas o primeiro lote apresenta maior índice de doenças ortopédicas. O primeiro teve crescimento máximo; o segundo, crescimento ótimo, formando adultos com menos propensão a lesões.

A partir do desmame, pode-se ofertar um suplemento vitamínico-mineral com aminoácidos, junto ao volumoso, ao concentrado para potros, ao sal mineral e à água. Note: "pode-se", e não "deve-se" — quanto melhor a variedade e a qualidade do alimento, menor a necessidade de aditivos. A doma deve ocorrer a partir dos 36 meses, e as estruturas podem levar até os 6 anos para estarem aptas ao esforço mais extremo.

A alimentação equilibrada em qualquer fase

Em todas as fases, a base é volumoso de qualidade, especialmente gramíneas, evitando leguminosas à vontade, como a alfafa. Completam a base o sal mineral específico e a água fresca e limpa à vontade. O concentrado deve ter níveis nutricionais adequados a cada categoria, escolhido pelos níveis de garantia e pela composição, e não pela aparência. Só então, para o melhor desempenho, entram os suplementos específicos.

Probióticos, prebióticos e simbióticos

Probióticos são micro-organismos vivos que, introduzidos na dieta, melhoram o desempenho e a absorção de nutrientes. A flora intestinal, mais intensa no intestino grosso, faz efeito de barreira contra germes patogênicos e garante a boa utilização digestiva dos alimentos.

Essa flora pode ser perturbada por estresse de transporte ou competição, pós-operatório, refeições irregulares, excesso de proteína, desequilíbrio de fibra, gestação e lactação, desidratação, alteração do pH digestivo e uso prolongado de antibióticos. O probiótico atua como biorregulador contra esses desequilíbrios. Seu uso deve ser contínuo, pois esses micro-organismos não se reproduzem no aparelho digestivo equino.

Prebióticos são substâncias não digeríveis que estimulam a flora benéfica, como MOS (mananoligossacarídeos), FOS (frutoligossacarídeos) e leveduras. O uso conjunto de probiótico e prebiótico — os simbióticos — tende a potencializar a eficácia de ambos.

Vitaminas, minerais e eletrolíticos

O cavalo sintetiza a vitamina C; a microflora fornece o complexo B e a vitamina K; A e E vêm das forragens verdes; e 45 a 50 minutos de sol suprem a vitamina D. Se a dieta for exclusivamente de feno, A e E extras podem interessar; em estresse frequente, o complexo B. A vitamina C não se comprovou eficaz.

Além do sal mineral diário, atletas podem precisar de mais minerais — mas sempre em complexo equilibrado. Suplementar ferro para "melhorar o oxigênio no músculo", por exemplo, não traz esse efeito e ainda inibe a absorção de zinco e cobre, causando carência induzida.

O suor é composto por 95% de água e 5% de minerais, dos quais quase 95% é cloreto de sódio. O eletrolítico deve ser fornecido sempre após o exercício, em treino ou prova, e sempre com água: sem água, ele pode prejudicar a performance.

Suplementos energéticos e proteicos

Para elevar a energia, aveia e milho devem ficar limitados a 40 a 50% do concentrado, pelo alto teor de amido. Os óleos vegetais são a forma mais eficiente de elevar a energia sem prejudicar a microbiota: o óleo de soja basta para energia quantitativa; óleos de arroz, coco, linhaça ou avocado agregam benefícios qualitativos, em quantidades de 30 a 400 ml. A energia total não deve passar 30% acima das necessidades — o excesso de amido ou de gordura leva a timpanismo, diarreia, cólicas, disbiose e laminite, e o excesso de gordura pode indisponibilizar o magnésio.

O organismo não estoca proteína: na falta de proteína ou energia, degrada a musculatura. Mas o desempenho é condicionado à energia, e não à proteína, e o excesso proteico gera amônia, disbiose, enterotoxemia, cólicas, problemas hepáticos e renais, má recuperação, queda na espermatogênese, suor excessivo e úlcera gástrica.

Aminoácidos e derivados: o que a ciência diz

A principal fonte de aminoácidos deve ser uma dieta equilibrada. Em estresse ou desgaste constante, uma suplementação pode ser mais interessante que a de proteína, por não gerar excesso de amônia. Alguns são recomendados com frequência, mas sem comprovação de real necessidade:

  • Lisina: única com necessidade determinada (40 a 70 g/dia), facilmente atendida pela dieta; o excesso pode induzir carência de outros aminoácidos.
  • Triptofano: usado como "calmante", mas não há evidências de que o suplemento atravesse a barreira cerebral de forma eficiente.
  • BCAA (leucina, isoleucina e valina): benefícios só em exercícios até próximo da fadiga; doses indiscriminadas podem prejudicar estômago e intestino e gerar amônia.
  • Carnitina: sem comprovação de melhora de desempenho em dietas equilibradas; há estudos de melhora do sêmen de garanhões.
  • Creatina: o aumento de volume muscular vem da água intracelular e desaparece ao suspender; uma dieta equilibrada deve ter o mesmo efeito.

Considerações finais

Raça, temperamento, digestibilidade individual, clima, manejo, instalações e saúde afetam o aproveitamento dos nutrientes. A dieta deve ser composta de matérias-primas nobres, variar o menos possível e ser fornecida no maior número de refeições, respeitando o comportamento ingestivo do equino. Cuidado com fórmulas mágicas, que prometem tudo e entregam pouco.

Um atleta de alta performance vem de um potro bem formado desde o primeiro terço da gestação, passando pela lactação e pelos cuidados até os 24 meses. A nutrição no dia da prova visa mais evitar problemas do que oferecer algo que pouco pode fazer.

Lembre-se que o cavalo corre com o alimento de véspera, e não do dia da competição.

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Autoria e créditos

André G. Cintra (MV, Prof. Esp.)

Médico-Veterinário, Professor e Especialista em Nutrição, Comportamento e Bem-Estar Equino.

Autor das obras Alimentação Equina: Nutrição, Saúde e Bem-estar, O Cavalo: Características, Manejo e Alimentação e Manual de Gerenciamento Equestre: Textos, Tabelas e Planilhas (coautor).

Contato: agcintra@gmail.com · Instagram @andregcintra · YouTube André G. Cintra

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